A realidade da capacitação em primeiros socorros nas escolas brasileiras e a enfermagem como ferramenta de transformação

Texto originalmente publicado por Carlos Felipe dos Santos em 03/fev/25.
Disponível em https://medium.com/p/d8186d1aec03
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Em 2018, o então presidente da República, Michel Temer (MDB), sancionou a lei 13.722/2018, a qual ficou conhecida como Lei Lucas, tornando obrigatória a capacitação em primeiros socorros dos profisisonais que atuam em estabelecimentos de ensino.

Crianças em playground. Imagem: Norma Mortenson/pexels.

Apesar disto, muitos profissionais da educação desconhecem procedimentos básicos de primeiros socorros, sobretudo de controle de hemorragias. Diversas publicações indicam que uma grande parcela desses profissionais nunca participou de treinamentos formais ou não tem conhecimento atualizado sobre o tema. Em pesquisa realizada com 76 profissionais de escolas públicas em Cuiabá, 46,1% nunca haviam recebido capacitação e outros 29,3% estavam há mais de cinco anos sem atualização. Situação semelhante foi observada em Minas Gerais, onde apenas 14% dos entrevistados afirmaram se sentir preparados para prestar assistência inicial a uma vítima.

Esses dados evidenciam que, mesmo com a legislação vigente, a capacitação ainda não atinge a abrangência necessária para tornar o ambiente escolar seguro em casos de emergências.

Hemorragia em ambientes escolares: um risco real

Engana-se quem pensa que sangramentos graves ocorrem apenas em situações extremas, como ataques violentos ou acidentes de grande porte. Muitos educadores apontam que a infraestrutura inadequada das escolas e atividades comuns do dia a dia também podem resultar em ferimentos graves, os quais podem provocar sangramentos e, aqui, cabe uma ressalva: a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que 40% das mortes por trauma resultam de hemorragias não controladas a tempo. Portanto, ensinar controle de hemorragias em escolas é fundamental!

Infraestrutura inadequada da escolas foi apontada com causa de acidentes que provocam hemorragias. Imagem: Caleb Oquendo/Pexels.

A falta de conhecimento e preparo pode ser fatal. Em um estudo realizado em uma escola de Campo Grande (MS), quase metade dos educadores respondeu incorretamente sobre como lidar com um sangramento grave. Além disso, muitos sequer sabiam os números de emergência (SAMU, Bombeiros e Polícia Militar), dificultando um socorro eficaz. Outro estudo aponta que a baixa taxa de atualização do conhecimento prejudica a resposta eficaz dos educadores em emergências.

O papel do enfermeiro na capacitação escolar

A enfermagem tem papel fundamental na educação em saúde e pode ser uma aliada crucial na construção de comunidades escolares resilientes. Evidências recentes demonstram que capacitações conduzidas por enfermeiros aumentam significativamente o nível de conhecimento e preparo dos educadores.

Em um estudo realizado em Sergipe, a realização de oficinas teórico-práticas permitiu que 95,5% dos participantes respondessem corretamente sobre os procedimentos adequados para o controle de hemorragias, um aumento significativo em relação ao nível de conhecimento anterior. Já em Minas Gerais, após a capacitação, o percentual de educadores que reconheciam um torniquete de extremidade subiu de 11,9% para 59,1%, e aqueles que sabiam quando utilizá-lo passaram de 7,5% para 50%.

Esses números demonstram que o enfermeiro, além de sua atuação assistencial, desempenha um papel essencial na educação em saúde, capacitando profissionais para agir corretamente diante de emergências.

Enfermagem tem papel fundamental para transformar a realidade das escolas. Imagem: Andrzej Rembowski/pixabay.

Capacitação recorrente: a chave para e eficácia

Embora os treinamentos em primeiros socorros tragam benefícios comprovados, há evidências que mostram que a retenção do conhecimento diminui com o tempo. Uma pesquisa revelou que, apenas seis meses após a capacitação, 17 participantes falharam em aplicar corretamente as técnicas de controle de hemorragia, demonstrando a necessidade de reciclagens frequentes.

A recomendação é que os treinamentos sejam realizados, no mínimo, anualmente, para garantir que os educadores mantenham suas habilidades e conhecimentos atualizados. A educação permanente em saúde se mostra essencial para que esses profissionais possam agir de maneira rápida e eficaz quando necessário.

O controle de hemorragias é um conhecimento que salva vidas e deve ser difundido de forma ampla, garantindo que cada profissional da educação tenha a segurança e habilidade necessárias para agir diante de uma emergência. A capacitação não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas sim como um compromisso com a segurança e o bem-estar dos alunos e profissionais escolares. 


Referências


*Esse texto foi gerado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e contou com revisão humana.