TEG e ROTEM: testes viscoelásticos ajudam a salvar vidas
Texto originalmente publicado por Carlos Felipe dos Santos em 02/mar/25.
Disponível em https://medium.com/me/stats/post/a30198db1e03
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Você certamente deve estar cansado de ler que a hemorragia é a principal causa de morte em traumas penetrantes em todo o mundo, representando um desafio crítico no atendimento a pacientes politraumatizados. Devido à sua rápida evolução e potencial letalidade, um manejo adequado e tempestivo é essencial para a sobrevida dos pacientes.
No Brasil, em 2021, por exemplo, foram registradas 149.322 mortes atribuídas a lesões, o que equivale a cerca de 70 mortes por 100 mil habitantes. Os traumas representam uma significativa parcela dessas estatísticas, reforçando a necessidade de protocolos eficazes de ressuscitação volêmica e hemostasia para mitigar as complicações hemorrágicas.
Acidentes de transito figuram entre as princiupais causas de trauma no Brasil. Imagem: Thgusstavo Santana/pexels.
Choque hipovolêmico e a tríade letal
Quando a perda sanguínea é considerável, diversos problemas podem surgir resultantes do estado de choque hipovolêmico. São conhecidos como tríade letal: coagulopatia, hipotermia e acidose. Esse cenário torna a hemostasia um processo ainda mais difícil, afinal, a perda sanguínea vira um ciclo vicioso. Por isso, além do uso do ácido tranexâmico, que pode — e deve — ser adotado ainda no cenário pré hospitalar, uma reposição volêmica com hemoderivados no hospital guiada de acordo com o perfil de coagulação de cada paciente é fundamental para o sucesso da intervenção.
TEG e ROTEM: monitoramento hemostático em tempo real
A resposta hemostática varia significativamente entre os indivíduos, tornando essencial uma avaliação precisa e personalizada da coagulação sanguínea. Em vez de depender exclusivamente de parâmetros laboratoriais tradicionais, que podem apresentar um atraso significativo na obtenção dos resultados, o TEG e o ROTEM fornecem uma análise dinâmica e em tempo real da função hemostática do paciente.
Testes viscoelásticos permitem guiar a correção da coagulopatia. Imagem: Charlie-Helen Robinson/pexels.
Ambas as técnicas medem a formação, a força e a dissolução do coágulo, permitindo a identificação precoce de distúrbios de coagulação e facilitando a tomada de decisões terapêuticas. Diferentemente dos testes laboratoriais convencionais (como INR, TAP e TTPa), que avaliam apenas partes isoladas da cascata de coagulação, os testes viscoelásticos oferecem uma visão integrada do processo hemostático, permitindo à equipe médica decidir pelo melhor produto sanguíneo, otimizando o manejo da coagulopatia.
Diferenças entre os textes viscoelásticos TEG e ROTEM. Imagem: chatGPT
Benefícios do uso do TEG e ROTEM
A implementação do TEG e ROTEM em hospitais que atendem pacientes politraumatizados oferece diversos benefícios, visto que ambos os exames podem ser realizados à beira leito, não havendo necessidade de encaminhar a amostra para um laboratório e aguardar tempo demasiado. Veja outros benefícios:
Tomada de decisão informada: Ao fornecer uma visão abrangente do estado de coagulação do paciente, essas técnicas auxiliam os profissionais de saúde a identificar rapidamente coagulopatias específicas e a direcionar terapias hemostáticas de forma mais eficaz.
Redução de transfusões desnecessárias: Com uma avaliação precisa, é possível minimizar a administração excessiva de hemoderivados, reduzindo riscos associados e otimizando recursos.
Melhoria nos desfechos clínicos: Estudos indicam que o uso do TEG e ROTEM está associado a uma diminuição na mortalidade e nas complicações relacionadas à coagulação em pacientes com hemorragia grave.
No vídeo abaixo é possível conferir uma pequena explicação do Dr. Marcelo Duran, anestesiologista, sobre o uso do ROTEM:
Embora a aquisição e manutenção dos equipamentos representem um investimento inicial significativo, a otimização do uso de hemoderivados e a melhoria na sobrevida dos pacientes justificam a adoção dessas tecnologias. Estratégias transfusionais guiadas por TEG ou ROTEM têm demonstrado impacto positivo na morbimortalidade de pacientes com hemorragia grave, reforçando seu papel essencial na medicina de emergência e terapia intensiva.
*Esse texto foi gerado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e contou com revisão humana.