Sepse: o inimigo oculto - entenda a diferença entre sepse, SRIS e choque séptico
Texto originalmente publicado por Carlos Felipe dos Santos em 12/jan/25.
Disponível em https://medium.com/p/5a735c7b30eb
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De tempos em tempos vemos nos noticiários brasileiros reportagens sobre mortes de pessoas por sepse ou infecção generalizada — este último termo já em desuso.
Silenciosa e devastadora, a síndrome permanece como uma das principais causas de morte evitáveis no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são cerca de 11 milhões de óbitos por ano e, ao contrário de países como os Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, que conseguiram reduzir essa taxa, o Brasil segue estagnado, tendo 55% de letalidade nos casos diagnosticados, sendo seu impacto agravado, na maiorida das vezes, pelo atraso no reconhecimento e no manejo inadequado.
Sepse é a causa número um de morte evitável de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Imagem: Ger Altmann/Pixabay.
O que é sepse
Sepse deriva do grego septikós, que significa aprodecer, que causa putrefação. No século XIX, cientistas entenderam que tal doença era séria, devastadora, sendo causada por micro-organismos vivos.
De lá pra cá, as definições de sepse evoluíram para refletir melhor sua complexidade. Inicialmente, uma reunião entre a Society of Critical Care Medicine (SCCM) e o American College of Chest Physicians (ACCP) em 1992 cunhou quatro termos que explicavam toda a dinâmica envolvida no desenvolvimento da sepse:
Síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS);
Sepse;
Sepse grave e;
Choque séptico.
Desde 2016, porém, apenas os termos SRIS, sepse e choque séptico estão em uso, e os parâmetros para a rápida identificação foram melhorados. Sepse passou a ser definida, então, como uma resposta inflamatória aumentada seguida por disfunção orgânica.
Entendendo a sepse
Pensa que você pegou uma gripe forte que resultou em uma pneumonia — inflamação dos pulmões. Naturalmente, o seu corpo tenta combater os microrganismos que causaram essa doença, resultando em febre, dor e até mesmo dificuldade para respirar, por exemplo. Tudo isso é esperado, afinal, é reflexo do seu sistema imunológico trabalhando para “matar” o agente infeccioso e trazer seu corpo à normalidade.
Quando essa resposta fica desrregulada, temos o desenvolvimento da Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica, trazendo sinais clínicos que acendem um sinal de alerta na equipe assistencial, como temperatura central acima de 38.3 ºC ou abaixo de 36 ºC, frequencia cardíaca acima de 90 batimentos por minuto, frequência respiratória aumentada (maior que 20 respirações por minuto), além da contagem anormal de leucócitos totais: maior que 12.000/mm³ ou menor que 4.000/mm³ ou presença maior de 10% de formas jovens.
Quando esse resposta provoca alterações no funcionamento de outros órgãos, trazendo sérios danos ao paciente, como redução do nível de consciência, delirium, insuficiência respiratória aguda e diminuição do débito cardíaco — quantidade de sangue ejetado do coração em 1 minuto — dentre tantos outros, afirma-se que o paciente está com sepse instalada, ou seja, uma resposta inflamatória aumentada com disfunção orgânica.
Este quadro exige uma rápida resposta da equipe assistencial, que deve coletar exames de sangue para identificação do agente infeccioso (bem como buscar marcadores de problemas no metabolismo), iniciar dose de ataque de antibiótico de largo espectro dentro de 1 hora após abertura do protoclo sepse, bem como reposição volêmica para reajustar os parâmetros hemodinâmicos, caso seja necessário.
Sepse é a causa número um de morte evitável de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Imagem: Ger Altmann/Pixabay.
Choque séptico
Se, ainda assim, depois dessa rápida intervenção, a vítima não apresentar melhora e continuar com hipotensão, temos o choque séptico, que se caracteriza, portanto, por sepse refratária à reposição volêmica.
Em resumo: uma infecção que começa no pulmão provoca uma resposta do sistema imunológico. Logo, se o sistema imunológico não dá conta ou perde o controle, há uma síndrome da resposta inflamatória sistêmica, envolvendo, portanto, outros órgãos. Se essa resposta provoca uma disfunção, trazendo graves consequências ao paciente, temos sepse, o que implica em reposição volêmica. Se a reposição volêmica não surtir efeito, temos o choque séptico.
Sepse é quadro grave e pdoe exigir reposição volêmica e uso de drogas vasoativas para restabelecer parâmetros hemodinâmicos. Imagem: Furkan Ince/Pexels.
Por que a situação no Brasil ainda é grave?
Diversos fatores contribuem para as altas taxas de mortalidade por sepse no Brasil. Entre eles estão a insuficiência de leitos de UTI, a deficiência em treinamentos de equipes de saúde para o reconhecimento precoce da condição e a subutilização de protocolos padronizados, como a Campanha de Sobrevivência à Sepse, instituida pelo Instituto Latino Americano de Sepse. Além disso, a falta de infraestrutura em regiões remotas dificulta o acesso a cuidados de saúde de qualidade.
O que pode ser feito para melhorar?
A solução desse problema exige um esforço conjunto de governos, instituições de saúde e profissionais da área. Algumas medidas incluem:
Treinamento e capacitação: Promover a educação continuada para o reconhecimento precoce da sepse.
Implementação de protocolos: Garantir o uso de protocolos baseados em evidências, como a triagem com o uso do quick SOFA.
Investimento em infraestrutura: Ampliar o número de leitos de UTI e melhorar o acesso a exames diagnósticos.
Campanhas de conscientização: Informar a população sobre os sinais de alerta da sepse e a importância da procura imediata por atendimento médico.
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*Esse texto foi gerado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e contou com revisão humana.